quarta-feira, 18 de abril de 2007
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segunda-feira, 16 de abril de 2007
Prêmio Toddy de Música Independente - Vote Loaded!

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sexta-feira, 13 de abril de 2007
quinta-feira, 5 de abril de 2007
Aniversário da Decibélica - EU FUI!
Começou corrido porque eu fui convidado para um debate na FASAM sobre o filme “Inconscientes” (uma co-produção espanhola e argentina muito legal) e nem sequer pude ver o filme antes, então já saí de casa logo cedo com essa preocupação. Como você vai pra um debate ser ter visto o filme? Me cobrava e me recriminava, mas não deu pra ver então a vida tem que seguir seu rumo. Cheguei lá e a apresentação teve um atraso considerável, então minha culpa começou a diminuir. No início o áudio não estava bom, depois o filme teve um problema técnico e por fim a exibição foi interrompida antes do filme terminar. Ou seja, tudo correu bem. Participei do debate com a jornalista Tacilda Aquino que é uma figuríssima e rimos muito durante a exibição do filme e durante a prosa com os alunos depois do filme. Gente me perguntando sobre Jesus Cristo e a psicanálise, gente tirando dúvida sobre ids, egos e superegos, muita gente interessada, e essa é sempre a melhor parte de estar num debate acadêmico.
Se a manhã foi amalucada, a tarde foi ainda mais maluca. Começou com uma correria infernal, acabei faltando ao ensaio do teatro (estreamos agora em maio com a biografia do Chico Xavier), tomei uma bronca do diretor, mas às cinco horas da tarde estava na porta do Martim Cererê.
“Uai, tem cabelo nascendo aí Eduardo. O que você tá fazendo?”, essa foi a minha recepção quando cheguei no Cererê, pelo frito surtado João Lucas. Claro que não tem cabelo nascendo, a não ser que “deus desça na terra”, como eu disse ao João. Mas num dia tão conturbado, um comentário desses nem preocupa.
“Jornalismo preguiçoso, esse é o nome!”, foi outro comentário gentil, dessa vez o rotundo Fabrício Nobre comentando meu “furo jornalístico” sobre a vinda do BellRays para o Bananada. Mas eu fui me basear nos informes do Freakin Finas, tinha que pagar o preço da ousadia, certo? Que tarde! A propósito, preciso deixar isso claro: o BellRays não vai vir para o Bananada, o que é uma pena, porque eu gostei bastante do som da banda.
Finalmente entre e sentei-me com alguns figuras que já estavam por lá e dei boas risadas com o Pedro “Reator” e seu figurino “descolado” para fazer as entrevistas do vídeo. Beto Rockefeller e Ed Rockefeller me contam dos planos da banda para o novo Cd, que será gravado em maio, tudo isso enquanto aguardávamos o início das festividades. Sim, houve um atraso, apesar da equipe Fósforo estar tomando conta de tudo, novamente de forma bastante profissional, mas o atraso aconteceu. Normal, havia poucas pessoas no Martim às cinco horas. Mas é interessante perceber - e quero destacar isso - como a equipe da Fósforo está se tornando uma máquina funcional de produzir shows, com gente se especializando em cada necessidade da produção, com tarefas bem distribuídas, com gente comprometida realmente sem reclamar de serviços. Muito legal ver esse povo trabalhando, porque é uma aula realmente.
E mesmo com poucas pessoas, algumas cenas acontecem. Como a segurança do festival ainda estava sendo posicionada, ninguém estava autorizado a entrar no Cererê, e por um tempo nem as bandas estavam liberadas para entrar. Uma loirinha, de uns 30 kilos no máximo vem até o portão e ameaça fazer um escândalo, porque o ingresso dizia 16:30 e já eram 17:00 e quando um segurança já se movia para interceder, a loirinha cai na risada e abraça a jovem “porteira”. As duas eram colegas de sala, acabaram trocando informações sobre uma prova que vão ter essa semana. Do lado de fora três guris cantam músicas de capoeira e entornam uma garrafa plástica, o que poderia parecer meio contraditório, mas é uma tarde insana de rock, então eu aperto o botão do "Foda-se" e toco pra frente.
Mas aí começam os shows. E para abrir os trabalhos colocaram a Bipolar Blues, do Luiz Maldonalle, que de início não apreciou muito a idéia de ser a primeira banda do evento, ele me contou depois. Mas o sujeito quando já provou sangue, não recupera o juízo. Na hora que abriram as portas do teatro e a Bipolar Blues começou a tocar, ninguém se lembrava mais que o festival estava começando. Isso porque os três sujeitos são profissionais, não no sentido financeiro (porque acho que não ganham pra tocar), mas no sentido de saber o que fazem e fazer muito bem feito.
Sabe aquele comentário que fazem sobre o Romário? De saber os atalhos do campo? A Bipolar tem três Romários na linha, os caras não fazem força, tocam sintonizados e tranqüilos, e é muito bom ver um povo com aquela segurança. A um certo momento do jogo... quer dizer, do show; o Itarlan (baixista) come um chocolate com a maior tranqüilidade do universo, enquanto desfila riffs e timbres no baixo. Numa tranqüilidade enorme! Depois fiquei sabendo que o chocolate é uma ferramenta para vencer a abstinência do cigarro. Nobre Itarlan, tem minha torcida para nunca mais colocar um cigarro na boca!
Luiz joga a guitarra pro alto, esfrega na perna, toca com os dentes, faz o diabo, e avisa: “Não interessa a hora que puser a gente pra tocar, pode ser meia noite ou meio dia. De qualquer jeito, a qualquer hora, O PAU VAI QUEBRAR!” e quebra mesmo. O dinossauro guitarreiro ensandece, e que bom se a raiva provoca isso no sujeito, porque ele não teve dó e distribuiu clássicos um atrás do outro, falando pouco e tocando demais. Foi muito bom olhar em volta, ver uma molecada bem novinha cantando “Foxy lady” junto do Bipolar. Como diz a Kombi Hippie em “Carros” quando o Jeep militar manda abaixar o som: “Respeita os clássicos! Isso é Hendrix!”.
Eu que já tentei aprender a tocar violão uma dezena de vezes, e nunca consegui intimidade com o troço, fico até com raiva vendo o Luiz tocar daquele jeito. Normalmente shows de músicos virtuoses como o Luiz são chamados de masturbatórios, como se fosse uma grande punheta ali no palco. Pois que ninguém se sinta intimidado, mas ver o Luiz em pleno momento guitarrístico-punhetal é para ficar na memória. Na minha frente um guri tirava fotos com o celular, tentando acompanhar a guitarra que voava. Detalhe: o visor do celular dele estava destruído, ele nem via o que fotografava, mas tinha a certeza da cena inesquecível.
Me abaixo para fazer algumas anotações e o maluco do Maldonalle resolve jogar um DVD dele para a platéia. Só percebi o que estava acontecendo quando uma dúzia de pessoas pulou na minha cabeça para pegar o tal DVD, achei que eu tinha entrado no meio de uma briga. Mas mesmo apanhando, o show foi muito bom, fantástico mesmo. Ainda falta o que eu sempre cobro do Maldonalle: quebrar a guitarra. No dia que ele destruir a guitarra no palco, aí terá completado sua sina e pode voltar para Asgard, até lá continua mortal.
O aniversário da Decibélica não lotou tanto quanto os outros eventos da grife, o que proporcionou mais espaço para andar e bater papo com aquele monte de gente interessante que se reuniu. E por causa desses papos eu perdi mais da metade do show do Envy Hearts, que eu tinha divulgado tanto. Falei dos caras no Loaded, no Reator, na Dyna, e isso porque realmente eu gosto muito do som dos caras. Um rock simples e nervoso, bem tocado por uns guris (o guitarrista parece um modelo de propaganda de Talco PomPom) e que vêm melhorando no palco. Explico, eu sempre gostei muito do som deles, mas tinha preguiça de ver os shows, porque a presença de palco deles era fraquinha, sem interação com o povo (eu acho isso importante. Só o Demosonic consegue fazer rock-autista bem feito), com uns comentários bobinhos, bem aquela coisa de quem está tocando pros amigos e aí vira um monte de piadas internas que só os “miguxos” entendem. Mas eles melhoraram, conversando menos, tocando muito (como sempre) e quando falam não assustam. “End of the road” (acho que é esse o nome da música, porque não acho MP3 dos caras em canto nenhum. Divulga gente!!!) é uma puta música boa, e nessa hora eu confirmei tudo que tinha anunciado antes: a banda é boa demais.
Depois vinha Wwoolloonnggaabbaass. Não são tantas letras, mas eu sempre me confundo com quais são as letras que vêm em duplas, então como jornalista preguiçoso que sou, não vou consultar, vai de memória. hahahahahhahaha
Os caras já entram ganhando a platéia mandando um litro de whisky para os gargalos ávidos do público, depois mandam um litro de vodka, e aí já tem muita gente chapada então o show vira uma farra mesmo. Juan e Hélio estão cada dia mais entrosados (Hélio é um ótimo baterista, todo mundo sabe disso) e a banda está mais solta, mais à vontade. Éder assumiu a maior parte dos vocais e Jordão faz a animação do auditório, as tiradas filosóficas e o carinho da platéia. Tá achando que o cara é marrento? Ele põe a cabeça pro povo carinhar durante o show, e o pior é que muita gente se acotovela para fazer carinho na cabeça do figura. Foi o melhor show que eu vi desses caras, muito entrosados, animados, divertidos e botando pra quebrar.
Quando tocam AC/DC durante a música “O Álcool” e quanto tocam o cover do Johny Cash eles mostram que realmente se afastaram do punk rock, e isso é bom porque existem poucas bandas nessa área que eles estão ocupando. E ocupando cada vez com mais competência.
Nunca tinha ouvido Janice Doll. Perdi tempo em não ouvir, porque o som é muito bom. Um sujeito me disse que o som era “emo”, outro me disse que era “alternativo”, outro me disse que era “indie” e eu fiquei sem saber que rótulo pregar nos caras. Tem guitarras pesadas, tem vocal angustiado, tem baixo galopante, tem bateria destruidora, quais outros clichês eu poderia gastar para falar dos caras? Talvez reforçar ainda mais a galopância do baixo, que realmente é um ponto alto da banda. Só sei que gostei bastante do show deles, com músicas rápidas e pesadas sem descambar para o hc puro e simples. Sempre uma refinada aqui, uma burilada ali e eles conseguem fazer rock de qualidade, bom de ouvir dirigindo na estrada. Bem rápido. Repetiam sem parar que gostaram muito de tocar em Goiânia Rock City, apesar do povo não ter entrado em grande quantidade para conhecer os caras. O teatro ficou meio vazião no show deles, o que foi uma pena. Mas acho que eles não lamentaram nada, até porque dois deles levaram grandes lembranças de Goiânia, tenho certeza.
Eu tinha conhecido o Yglo num show no Cepal. Não tinha gostado. Acho que eles fizeram um cover de Legião ou Ultraje e eu achei aquilo bem datado. Depois pude ver um show deles no República, mas eu estava muito bêbado naquele dia, então nem entendi o que acontecia na minha frente. Mas eu conhecia algumas músicas deles e gostava, então fui tranqüilo pro show. É outro que eu não sei rotular (e antes que as pedras voem, deixa eu dizer que rotular não é fundamental, mas ajuda quem não conhece a banda a ter alguma idéia do som). Tem uns lances meio gritados, tem um vocalista com uma cara ruim de dar medo, mas o rock é direto, grudento e as músicas foram feitas para ficar presas no crânio. Tá na mão de Deus é uma delas (apesar de eu ser agnóstico, como não impressionar com versos como “tá nas mãos de deus a maconha e o pó”. Olha que deus é isso!), Ácida é outra e é cantada com ódio, com vísceras, de forma – putz, não dá pra escapar – ácida mesmo! Estou me tornando refém de clichês e redundâncias!
Só não tenho certeza de como falar o nome da banda. É Ýglo, com a sílaba tônica no “Y” ou é Yglo com a tonicidade no “glo”? Alguém depois me explica, por favor.
Não vi nada de Sapatos Bicolores. Estava lá fora batendo papo e comendo um mixto quente. Sim, porque aquilo não é bauru, definitivamente. Cada dia eu sinto mais a falta da tia do acarajé, e o mixto tava até bonzinho, mas nada se compara ao acarajé da tia. Gente que produz show, pelamordedeus, acha essa mulher!!!
Depois veio Rockefellers. Com música nova tocando no Loaded, com planos de novo Cd agora pra gravar em maio (como já disse), com muita novidade, mas nem todas eu gostei. Isso porque eles tiraram todos os coros das músicas, em que os backing vocais “enchiam” a melodia, davam uma forrada no som, e eu gostava muito daqueles “úúúúúú” em Fight Club, por exemplo. Agora só o Beto canta tudo, e isso pesa pra ele e a voz sozinha não ocupa todo o espaço que antes as três vozes harmonizavam. O Ed toca muito, é um puta baixista, mas não sinto que ele já se integrou no palco de igual pra igual com o Leo e o Beto. Algumas vezes eu tenho a impressão de que ele fica meio sozinho, meio procurando um olhar de parceiro de banda, e esse olhar não vem. Sei lá, pode ser nóia minha, e eu sou muito paranóico (“porque eu sei que você quer me mataaaaaaaaar” hehe), mas achei que eles estavam frios. Foi um show bom? Foi. Mas para quem já tinha visto outros shows deles, isso é pouco.
O MQN tá diferente, tá mais metal anos 80. Aquele limite entre o hard e a farofa que rende músicas ótimas de tocar ao vivo e shows agitados, mas que não é tão acelerado, rápido, o que facilita para quem toca. Isso ajuda, porque Fabrício já não é mais o mesmo, já não dança tanto, já não provoca tanto, ele vai fazer bem em diminuir um pouco a circunferência, mas isso é detalhe de foro íntimo. Ele sabe o que faz do seu corpitcho. Agora o show foi bom bragarai, como sempre é o show do MQN. O solo de gaita do Uirá em “Cobra” é uma excelente idéia e ficou muito bom ao vivo também, mostrando que o “harmonista” tem veia rocker mesmo.
Foi provavelmente a hora que o teatro mais encheu, mostrando o tanto de gente que gosta de show dessa banda, e pra variar eles estavam se divertindo. Talvez até mais que o normal, pois como o Nobre disse, ele não estava lá trabalhando, não estava produzindo o evento, não preocupava com bilheteria, com traslado, com nada. Foi lá pra tocar e fazer rock, e fez isso com alta qualidade. Falar dos outros MQNs é até redundante; Miranda, CJ e Mestre Gustavo dispensam apresentações e comentários. Mas eu não resisto e pelo menos preciso dizer da precisão pancadística da bateria, da criatividade da guitarra com poucas notas e tantas variações e da musicalidade do baixo. Pronto, disse!
E aí veio o Forgotten Boys, que eu acredito que já podem sair candidatos a vereador em Goiânia. Uma chapa nas próximas eleições com o Gustavo (que ilustra esse post em uma foto clonada do Charles Mason), o Chuck, o Jimmy do Matanza e o Daniell Belleza. Êita que era uma eleição ganha, com esses caras que são adorados por aqui e que parecem adorar GoiâniaTown também. Gustavo mencionou isso no show, contabilizando cinco ou seis vindas para cá. O show era muito esperado e o povo gostou. Não posso ir além disso sem correr o risco de ser novamente redundante. O som dos caras é simples, então a descrição também precisa de simplicidade. Foram novamente competentes, fizeram o povo pular e o sorrisão aparecer. "C'mon" para mim é a minha favorita, que puta música legal!
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Eduardo Mesquita
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quarta-feira, 4 de abril de 2007
Se até Chapeuzinho Vermelho mudou...
Qual das duas "Chapeuzinhos Vermelhos" você prefere? A modernex ou a clássica? Na verdade isso não importa, porque gostando ou não elas vão mudar, vão se tornar diferentes e vão refletir o tempo em que existirem. Digo isso por causa da teimosia muar de muita gente de achar que os conceitos são eternos e imutáveis, e o que ontem foi "Chapeuzinho" tem que continuar a vida inteira sendo, simplesmente por causa do desejo de um ou de um grupo.
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Essa é a forma de teimosia mais lamentável que existe, porque nega a realidade inconteste, nega o que o mundo esfrega na nossa cara a todo instante. Mas antes que pareça que eu estou apedrejando todos aqueles que incorrem nesse besteira, deixe-me assumir que eu também faço isso, portanto não posso condenar de forma atabalhoada e impensada.
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E escolhi Chapeuzinho Vermelho por um motivo vivido por mim. Eu cresci ouvindo a história de Chapeuzinho Vermelho que Perrault popularizou, depois Hans Christian Andersen tornou pop e finalmente os Irmãos Grimm tornaram eterna. Nessa história que eu conhecia, a menina vai "pela estrada afora" levar doces para a vovozinha que mora do outro lado da floresta, no caminho encontra um lobo que pergunta aonde ela ia com tanta alegria e tantos doces. A menina - dando trela pra desconhecido, ainda mais um lobo! - explica que é pra velha vó e segue seu rumo. O lobo vai até lá, engole a vovó (sem mastigar) e deita na cama. Aí vem a cena clássica dos olhos grandes, das orelhas grandes e da boca grande que termina com uma bagunça homérica dentro da casa, até a chegada de um lenhador (de onde veio esse sujeito, ninguém sabe) que mata o lobo, abre o bucho dele e tira a vovó limpa e leve de lá de dentro. Todo mundo feliz pra sempre. Não é essa a história que você conhece também?
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Então, eu vinha do trabalho pra minha casa quando passei por uma locadora e vi um banner do desenho de animação "Deu a louca na Chapeuzinho" (http://www.deualoucanachapeuzinho.com.br/). Nesse desenho a chapeuzinho é suspeita de roubar receitas da sua vó, a vó é assídua telespectadora de lutas em jaulas e o lenhador é burro feito um tronco. Fiquei indignado! Como as crianças de hoje em dia aprenderiam a verdadeira história da Chapeuzinho com uma pôrra de uma história dessas pervertendo tudo que os grandes clássicos dos contos de fadas contavam? Daqui a pouco ninguém mais ia lembrar da história edificante de uma menininha valente e um lenhador generoso que enfrentavam um lobo ardiloso para salvar a doce e indefesa vovozinha.
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E aí eu me lembrei de uma coisa. Aquela história que eu conhecia não era a verdadeira e original história da Chapeuzinho Vermelho. Sim, é isso mesmo! A verdadeira história, a original história da Chapeuzinho é parte das tradições orais da Baviera (contam alguns historiadores) que era contada de geração para geração e não era doce como a que eu conhecia. Na história original o lobo ao chegar na casa da vovó não a engole de uma vez, ele a corta em pedaços sangrentos. A Chapeuzinho não salva a vovó, porque assim que ela entra na casa o lobo a devora também, sem conversinha de orelha grande ou bocona. E não existe lenhador, o lobo chacina a família Vermelho e volta pra floresta para digerir as duas gerações de doceiras. Simples e direto e realista assim.
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Imagine-se contando uma história como essas para seus filhos ou sobrinhos? Pior que as canções de ninar que o Mika comentou num post aí abaixo. Muito pior. Era uma cena de "Aqui-Agora" ou "Notícias Populares". Mas com o passar do tempo foram suavizando a história, alterando alguns dados, acrescentando alguns personagens, mudando o enredo, adaptando à realidade vivida e à necessidade do termo e do conceito. Não era marketing, não era neoliberalismo ou qualquer outro rótulo direitista que algum imbecil possa querer usar, era simplesmente uma alteração natural pela mudança dos tempos. Inevitável.
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Como querer que os conceitos se mantenham puros e inalterados como quando foram criados? Aquele conceito permanece PARA VOCÊ, em seu coração e na sua saudade, porque para o resto do mundo ele avança. Sim, vão existir muitos saudosistas como você querendo manter a integridade do conceitos, mas esses - assim como você - serão dinossauros laranjados. Ridículos. Porque ser um dino é ser antigo, mas ser antigo quando ainda se é novo, porque não se quer largar o que um dia nos fez bem, isso é voltar para idade da pedra usando lantejoulas.
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O que eu acreditei aos vinte anos permanece e vai permanecer eternamente cristalizado em tudo que eu vivi, mas nem sequer nas minhas lembranças vai permanecer o mesmo. Já aconteceu com você de visitar a escola em que você começou seus estudos, ainda aos três ou quatro anos de idade, depois de muitos anos sem visitar o tal colégio? É fantástico, porque a escola vai parecer muito menor para você do que era nas suas lembranças. Você tem lembranças de uma criança, o que você não é mais - não importa o quanto você resista - e para uma criança um muro de um metro e meio é uma muralha. Não é mais para você. Mudou.
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Não acho que ninguém esteja errado em se apegar às suas crenças, mesmo que fanaticamente. É uma opção de cada um, e eu respeito opções com muita sinceridade, mas algumas opções além de respeitar eu lamento. Porque além de se apegar existem aqueles que querem que TODO MUNDO pense igual, como se fosse uma polícia nazista do pensamento, determinando o que as pessoas podem ou devem acreditar. E qualquer um que não siga os ditames de um fascista desses é rotulado, carimbado, estigmatizado e deve ser banido da comunidade, como um pária, já que não está entre iguais. Isso é o que acho ruim.
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Eu preferiria que Chapeuzinho Vermelho permanecesse sendo a minha Chapeuzinho, que está representada aí acima na foto preto e branco, mas não posso negar que a outra Chapeuzinho também me agrada. E muito. Então não se trata de abandonar o que se acredita, mas de aceitar que outros acreditam em outras coisas. A história provou que o fascismo era burro, querer seguir esse rumo hoje pode ser uma estupidez ainda maior.
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Mas é como eu disse, uma opção de cada um.
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Há braços!
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Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei
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Eduardo Mesquita
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terça-feira, 3 de abril de 2007
MADAME SAATAN lança single - isso é BRODAGEM do Século XXI
Circuito Fora do Eixo - REC é inaugurado com lançamento da Madame Saatan
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O que muda com o compacto.rec é que ao invés de divulgar o single no site da banda, como muita gente vem fazendo, agora todos os veículos que tem vínculo com o Fora do Eixo. Naqueles sites que tem alguém que entende do que está fazendo, os fonogramas e as artes e tudo que você precisa para consumo estarão disponíveis. Em sites que tem um neandertal operando, como esse aqui, você vai ter o link rapidão pra ir buscar o que você quer. Tem tudo, as músicas, a capa, o encarte, as letras, fotos, o material completo para você montar seu compacto e delirar com o baixo sem educação do Ícaro ou os trinados da Sammliz.
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Essa iniciativa é boa demais porque fortalece uma rede que – em 18 meses – já fez barulhinho bom no país inteiro. E nessa idéia do compacto.rec os princípios do Fora do Eixo são reforçados: a parceria, o respeito às diferenças, a unidade. Sim, porque cada dono de site pode dispor o material da banda como quiser, não existe padrão rígido. Essa é a nova forma de brodagem, o que ainda é incensado por muitos romanticamente, agora finalmente encontra sua roupagem SÉCULO XXI. Brodagem é isso, não é passar o amigo sem pagar no festival, é divulgar a banda do amigo para o mundo inteiro em seu site.
PA: http://www.myspace.com/madamesaatan
PA: http://www.portalcultura.com.br
PA: http://www.nafigueredo.com.br
PA: http://www.belrock.com.br
PA: http://www.roquenroubabe.com.br
SP: http://www.dynamite.com.br
SP: http://www.urbanaque.com.br
SP: http://www.engenho.art.br
SP: http://www.rockfeminino.org
RO: http://www.fanrock.com.br
RO: http://www.vilhenarockzine.blogspot.com
RR: http://www.roraimarock.com.br
GO: target=" blank">www.fosfororecords.com
GO: http://www.radiomidia.com.br
GO: http://goianiarocknews.blogspot.com
GO: http://ogritodoinimigo.blogspot.com
MT: http://www.espacocubo.blogger.com.br
MT: http://hellcity.blogspot.com
AP: http://coletivopalafita.blogspot.com
AM: http://www.tumtumprod.wordpress.com
RJ: http://www.overmundo.com.br
RJ: http://www.orm.com.br/ruido/
RN: http:// www.dosol.com.br
e mais:
http://www.senhof.com.br
http://www.tramavirtual.com.br
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Eduardo Mesquita
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segunda-feira, 2 de abril de 2007
Boi da cara preta e outras canções de ninar - by Fred Mika
Ao cuidar de uma das meninas uma vez cantei "Boi da Cara Preta" para ela, antes dela dormir. Ela adorou e essa passou a ser a música que ela sempre pede para eu cantar ao colocá-la para dormir.
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Eduardo Mesquita
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